quinta-feira, 4 de novembro de 2010

SANTOS E BEATOS CARMELITAS


NOVEMBRO:
05 – Beata Francisca de Ambósia
06 – Beato Nuno de Snata Maria (Nuno Álvares Pereira)
06 – Beata Josefa Naval Girbés
07 – Beato Francisco de Jesus Maria José
08 – Beata Isabel da Trindade
19 – São Rafael Kalinowski
29 – Beatos Dionísio da Natividade e Redento da Cruz


06 de Novembro:
BEATA JOSEFA NAVAL - SECULAR


HISTÓRICO

Josefa Naval Girbés nasceu em Algemesi, Província de Valência, Espanha, no dia 11 de dezembro de 1820. Algemesi era um povoado eminentemente agrícola, com quase 8000 habitantes, uma única paróquia, um convento de Dominicanos, um hospital, escassos centros de instrução e poucas indústrias elementares.
Sua família: pai- Francisco Naval Carrasco, mãe- Josefa Girbés, e cinco irmãos: Maria Joaquina (morreu pequena), outra Maria Joaquina, Vicente, Peregrina (morreu aos 14 anos) e a pequena Josefa (que morreu apenas nascida). Josefa Naval herdou de seus pais grande espírito de fé, ardente caridade, amor ao trabalho, e desejo ardente de viver sempre na graça de Deus. Maria Josefa recebeu o Santo Batismo no mesmo dia em que nasceu.
Adquiriu uma cultura elementar, suficiente para desenvolver-se no meio o qual se passava sua vida. Aprendeu a bordar, atividade que com tanto acerto ensinou às suas numerosas alunas. Em sua formação religiosa colaborou eficazmente sua mãe. Desde pequena aprendeu a amar à Santíssima Virgem, venerada perto de sua casa no convento dos Padres Dominicanos. Desde pequena já manifestava um caráter reto, um tanto enérgico, que ela depois administraria em sua atividade apostólica. Fez sua Primeira Comunhão quando apenas contava com nove anos, e nesta época se comungava pela primeira vez apenas aos onze anos completos.
Sua mãe morreu quando ela tinha treze anos. A Virgem dos Padres Dominicanos a inspirou que nunca a abandonaria. Josefa, com seu pai e seus três irmãos, foi viver com sua avó materna. Resultou em uma perfeita “ama” de casa, nos afazeres próprios da família. Seu pai morreu aos 62 anos quando Josefa tinha 42 anos.
Para melhor agradar e entregar-se a Deus, em 04 de dezembro de 1838, escolheu a Jesus como seu único esposo, e a Ele consagrou para sempre sua virgindade, permanecendo indiviso seu coração (I Cor 7, 32-34). A obra a qual concentrou todos os seus cuidados e energias foi a da educação humana e religiosa das jovens, para as quais abriu em sua casa uma escola gratuita de bordado, atividade manual que muito conhecia. Aquela atividade que por si mesma era “comercial”, à qual acudiam muitas jovens de todas as esferas sociais, se converteu em um centro de convivência fraterna, oração, louvor a Deus, explicação e aprofundamento da Sagrada Escritura e das verdades eternas. Deste modo contribuiu eficazmente para o incremento religioso de sua paróquia, formando assim boas mães de família, fomentando o germe da vocação à vida consagrada e ensinando a todos o que significa ser membro do Povo de Deus.
Por tudo isso, ganhou grande estima e fama de santidade entre o clero e o povo. Inclusive depois de sua morte, que ocorreu piedosamente em 24 de fevereiro de 1893, continuou estendendo-se sua lembrança devido à santidade de sua vida e de suas obras. Vestida com o hábito da Terceira Ordem do Carmo, seu venerável corpo foi depositado em um humilde ataúde. Pela manhã do dia seguinte, 25 de fevereiro, se celebrou o funeral e, pela tarde, o enterro.
Em 03 de janeiro de 1987, Sua Santidade João Paulo II aprovava o decreto sobre as virtudes heróicas de Josefa Naval Girbés, e em setembro de 1988 o milagre proposto para sua Beatificação. A cerimônia de Beatificação se celebrou em São Pedro em 25 de setembro de 1988.


VOCAÇÃO À ORDEM SECULAR

Josefa Naval Girbés é um exemplo para todos os que são chamados à santidade sem abandonar o mundo, quer dizer, sem deixar seu lugar, sua vida familiar e seu trabalho profissional. Ela permaneceu no mundo para ser modelo de santidade para os seculares. Josefa não fez votos para a vida consagrada e nem ingressou em um convento, não por comodidade ou para escapar do rigor da vida comunitária, Josefa pensou sim na possibilidade de orientar sua vida até algum convento, porém, com as luzes que o Senhor lhe concedeu e que ela recebeu com humildade e obediência, além dos conselhos de seus diretores, viu claramente que devia continuar no mundo sendo guia de almas que necessitavam da sua direção, do seu exemplo de entrega a Deus e da ação benéfica de sua atividade apostólica.
Esta mulher de Algemesi viveu no laicato da perfeição evangélica, entregando-se ao apostolado entre as jovens de seu povo, sendo um convite para a grande maioria dos cristãos que não foram chamados a uma consagração especial, e que nem por isso sua dignidade eclesial é menor.


VIVÊNCIA DAS VIRTUDES TEOLOGAIS

Josefa Naval Girbés, como abrindo de par em par sua alma, dizia muitas vezes: “Meu ideal não é largar a vida, senão santificar minha alma”. Praticou em grau heróico as virtudes teologais da fé, esperança e amor, cujo exercício, bem sabemos os Carmelitas, nos levam ao abandono, à abnegação e à doação de nós mesmos.
Sua vida era toda para Deus: “Temos que retorcer a vontade própria para que se solte tudo o que não é vontade de Deus”. Essa vontade divina, descobria com grande espírito de fé, na Santa Lei de Deus e nas obrigações do próprio estado. O apreço pelo cumprimento do dever que ela vivia e que ensinou a suas discípulas, se traduz nestas palavras: “O cumprimento do dever é o caminho, o grau de amor com que se cumpre é a medida da virtude que tem a alma”.
Ela esteve sempre nas mãos de Deus. Infundir esta confiança no coração de suas alunas foi sua tarefa. Assim dizia: “Que nenhuma de vocês desconfie à vista de seus muitos pecados, nossa confiança não se apóia no que nós somos, senão no que Deus é e no amor misericordioso que Ele nos tem”. Unida intimamente a seu Divino Esposo, se cumpriu nela o que Ele disse: “Quem permanecer em mim e eu nele, este dará muito fruto” (Jo15, 5).

Trechos de uma Palestra proferida por Giovani Carvalho Mendes, no V Congresso OCDS Norte/Nordeste, realizado de 22 a 25/05/2008, em Fortaleza-CE (feitas algumas alterações).



07 de Novembro: BEATO FRANCISCO DE JESUS MARIA JOSÉ - FUNDADOR


O beato Francisco de Jesus Maria José (Aytona/ Espanha, 29 de Dezembro de 1811Tarragona, 20 de Março de 1872), estudou filosofia no seminário de Lérida e depois entrou para a Ordem dos Carmelitas Descalços. Foi ordenado sacerdote em 1836. Trabalhou na França de 1840 a 1851, e ao retornar ao seu país dedicou-se à pregação e às missões populares, especialmente em Barcelona e nas Ilhas Baleari. Entre os anos 1860-1861 organizou grupos femininos, que deram origem às Congregações das Irmãs Carmelitas Missionárias Teresianas e das Irmãs Carmelitas Missionárias. Fundou também uma família de Irmãos da Caridade, que acabou desaparecendo ao longo do tempo.
Foi beatificado pelo Papa João Paulo II dia 24 de Abril de 1988. Sua festa é celebrada dia 7 de Novembro.

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Secular – exemplo de entrega total a Deus, confiando no auxílio da graça divina para bem viver seu estado de vida.
Fundador – sabedor de que se deve perceber as necessidades da Igreja e por elas trabalhar.

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Da mesma forma que os Santos acima, no nosso tempo, também podemos contribuir para a implantação da verdade e da caridade sobre a terra, através da oração, silêncio, meditação e ação. Quais as possibilidades diárias que nos são colocadas e como estamos respondendo a elas?

Abraços a todos,
Ceane Ribeiro (Mariana Mazurek, ocds)