sábado, 31 de julho de 2010

DEUS ESTÁ VIVO: VIVA A VIDA!



Frei Patrício Sciadini, ocd.

NESTES DIAS, enquanto lá fora havia um calor danado, eu estava na biblioteca procurando algum livro para ler e me dei conta de alguns livros de mais de quarenta anos atrás, dos anos 60, onde a frase que se passava de boca em boca era liberdade de tudo e que Deus já estava morto e enterrado. Não havia mais nada que temer ou se preocupar com nada, o que importava era buscar a própria realização independentemente de todas as leis. O vento da liberdade sempre atraiu a todos. Os escravos sonharam com a liberdade e os prepotentes com a liberdade, mas o difícil é saber o que é a liberdade. No entanto a cada dia nos libertamos de algumas escravidões e nos encontramos amarrados e prisioneiros de outras escravidões que nos oprimem.

Quando o homem grita que Deus morreu é porque o mesmo homem morreu há muito tempo. É um cadáver ambulante que não sabe quem é, para onde vai e nem de onde vem. Há uma pergunta que até hoje e nunca o homem saberá responder: “de onde eu venho?” As hipóteses da origem do ser humano desligada de Deus se perdem no nada, porque não têm onde se apoiar. Nada se poderá apoiar no vazio, no nada, é preciso que haja algo para se sustentar, este alguém deve ser criado por Alguém capaz de criar do nada, este Alguém se chama se Deus. A presença de Deus a mim não perturba, me plenifica e nem me torna “fideísta”, isto é, que tudo deve ser explicado pela fé, como se a razão humana não valesse nada. Se as vezes o nosso povo beira o fideísmo mais absurdo, culpado, não é ele, mas somos nós, homens e mulheres de igreja de ontem e de hoje, que temos inculcado no povo que Deus faz tudo, que o que não se compreende é porque Deus não quer. Esta linguagem não funciona.

O ser humano é dotado por Deus de uma inteligência maravilhosa, capaz de desvendar os mistérios naturais, de correr atrás da verdade encerrada no universo, mas ao mesmo tempo o ser humano deve saber que há limites à sua inteligência e capacidade de realizar. Ele jamais poderá assumir o papel de Deus e manipular a vida a seu prazer, divertindo-se com as células e fazendo do mistério da vida um brinquedo nas mãos de loucos cientistas. Sem Deus não há felicidade que dure, nos encontramos continuamente na encruzilhada onde não sabemos o que fazer, como diz o nosso ditado bem brasileiro: “se você fica o bicho come, e se você corre o bico pega”. Quem diria, por exemplo, que o mundo se encontraria numa crise econômica tão grande quando o dinheiro era já elevado a “deus onipotente” e a ele se tinham construído templos e catedrais que são os bancos mais charmosos que todos os templos dedicados ao verdadeiro Deus?

Quem diria que o ser humano, senhor de todos os meios da ciência, dominador da psique através da “deusa” psicologia, se encontraria no inferno de tamanha depressão onde não sabe o que fazer a não ser encher o vazio humano com remédio e injeções ou “droguinha” enganadora? Deus não está morto, ele está vivo e somente os que o encontram vive na alegria, despojando-se de tudo. As coisas nos oprimem e Deus nos liberta de tudo e de todos os senhores passageiros. Nunca me senti tão livre como quando decidi me dar totalmente a Deus, nada me falta. Quando me sinto quem sabe triste vou ao meio dos pobres e vejo que com quase nada sabem construir a felicidade. Não se esqueça, a felicidade está dentro de você e o caminho para chegar a ela se chama Jesus, caminho, verdade e vida. E a felicidade plena se chama Deus, nunca nos esqueçamos disto.

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