domingo, 8 de março de 2015

Uma nova missão carmelitana em Jacareacanga, em plena selva amazônica


         NOVA MISSÃO CARMELITANA                                     


No mês de janeiro do ano passado (2014), no último Capítulo Provincial da Província do Sul do Brasil, foi aprovada a abertura de uma nova missão carmelitana em Jacareacanga, no Estado do Pará, no coração da selva Amazônica.

É um município com 53.000 Km2 e uma população dispersa por toda a região que chega a umas 30 mil pessoas. O mais característico é que 90% da população são indígenas, nativos; a maior parte pertencente à etnia “mundurukú” e alguns da etnia “apiacá”. Eles falam o “mundurukú”, e “arranham” um pouco o português.

O nome “Jacareacanga” significa “cabeça de jacaré” (em caimã). Cerca de 96% da missão será na selva, atravessada por grandes rios, entre os quais, se destaca o Tapajós (que chega a ter 4 km de largura em alguns trechos). Além dele, tem outros também importantes, como o Xamanxin, o rio das Tropas, etc.
Na pequena cidade vivem umas seis mil pessoas. As demais (em sua maior parte indígenas), vivem junto aos rios, em especial, o Tapajós. Antes, atendiam esta região os franciscanos, porém, deixaram a missão já cinco anos, de modo que o povo está sem sacerdotes. Quando os visitamos nos disseram que nos esperaram ansiosamente. Os indígenas, quando descobrem que você é o “pai” (o padre, o sacerdote), perdem todos os medos e lhe convidam a que visite sua aldeia.
Logo, falando com eles, se dá conta que a aldeia não está “logo ali na esquina”, senão, a um dia, dois ou três, em canoa, um pouco menos, se for de lancha, viajando pelo rio. A nova missão se ocupará de umas 70 aldeias e um ou outro povoado de brancos. Isto significa que teremos que viajar muitas semanas ao ano, a maior parte do tempo “a caminho”, em deslocamentos pelos rios, para atender aos indígenas. Em todas as aldeias há escolas. Ensinam em mundurukú e em português. Entre eles há preferência em falar o mundurukú, por ser a língua de seus antepassados e a língua “familiar”. Os indígenas vivem da caça e da pesca. Cultivam um pouco de mandioca, café, bananas, mamão e milho.


A nível sócio-político agora se está vivendo uma forte tensão, porque o governo começou a construção do Complexo Hidroelétrico do Tapajós (no total são sete hidroelétricas) e isto exige uma atenção especial da nossa parte, apoiá-los para que sejam respeitados, se busque um lugar onde realocá-los, e tudo isso seja feito com a prudência e a dignidade que merecem.

E não se pode falar da missão, sem falar de necessidades. Para chegar a todos esses povoados, dispersos pela selva, é preciso uma lancha com motor e uma camionete 4x4. Não há estradas com asfalto. Todas são pistas de terra, muitas vezes, por causa das chuvas, enlameadas. Para chegar à Prelazia de Itaituba (onde se encontra Jacareacanga) há que se percorrerem uns 400 km de “estradas” nessas condições descritas: em pistas de terra, pela selva. Como dá para se ver nas fotos, quando chove muito, a “estrada” se torna praticamente intransitável. E na época de menos chuvas (na “seca”), há muita poeira. Vamos começar como se pode, mas, o ideal seria fazer duas equipes, ter duas lanchas (barcos a motor), para fazer frente a todo este trabalho pastoral.

Agradecemos já, desde agora, ao Padre Geral pela resposta convencida e entusiasta ao apresentar-lhe a nova missão, à qual me incorporarei, em breve, se Deus quiser, que levará o nome de “Missão Santa Teresa”, por nascer neste V Centenário de seu nascimento, no coração da Amazônia, oxigênio para o mundo, oxigênio místico-carismático para todos. Que ela nos ajude e acompanhe.





Frei Marcos Juchem, ocd.


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