quarta-feira, 1 de setembro de 2010

SANTOS E BEATOS CARMELITAS



SETEMBRO:
01- Santa Teresa Margarida Redi
12- Beata Maria de Jesus
17- Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém




01 de Setembro:
SANTA TERESA MARGARIDA REDI
DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Anna Maria Redi nasceu em Arezzo (Toscana, Itália) em 15 de junho de 1747, nas vésperas da festa de Nossa Senhora do Carmo. Na nobre família dos Redi, esta menina veio à luz, sendo a segunda de um total de treze crianças. Com nove anos foi enviada a Florença com sua irmã Eleanor Catherine, para o Educandário de beneditino de Santa Apolônia. Recebeu a Primeira Comunhão no dia da Assunção de Nossa Senhora, em 1757.
Fato significativo foi ter como seu maior confidente o próprio pai, Inácio Maria Redi, homem religioso e iluminado. Entre os dois iniciou-se uma relação intensa através de cartas que, infelizmente, foram quase totalmente perdidas, pois ambos se prometeram de dar fogo às letras. Ana Maria disse repetidamente que ela era imensamente agradecida ao seu pai, mais por aquilo que ele ensinou, que por tê-la gerado.
De Margarida Maria Alacoque, nasceu-lhe uma grande devoção ao Sagrado Coração, um íntimo amor a Cristo. Aos dezessete anos, seguindo o exemplo da amiga Cecília Albergotti, sentiu a vocação para entrar no Carmelo, não obstante a dolorosíssimo processo de adeus à família. No dia 1º de Setembro de 1764 foi aceita no Mosteiro de Maria dos Anjos, em Florença. Fez a profissão religiosa em 12 de março de 1766 e se tornou Irmã Teresa Margarida do Coração de Jesus, e neste dia, por amor a Jesus, renunciou à relação epistolar com o pai. Isto lhe custou muito, mas prometeram-se que daquele dia em diante, todas as noites, antes do repouso, encontrar-se-iam no Coração de Jesus.
Pelo testemunho do seu pai e do diretor espiritual Pe. Idelfonso de S. Luís, conhecemos a sua escalada à santidade. Ainda jovem professa, sentiu um profundo desejo de conhecer a vida oculta de Jesus, então Padre Idelfonso deu-lhe como tarefa a meditação de uma passagem da carta de S. Paulo aos Colossenses que diz: “Você está morto e vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” Matar a sede de Deus através da imitação de Cristo tornou-se o objetivo da sua existência. Nasce assim uma singular expressão sua: “Ó que bela escada, que escada preciosa e indispensável é o nosso bom Jesus!”
Na data de 28 de junho de 1767 (domingo), enquanto estava no coro para a Hora Terça, um sentimento sobrenatural invadiu seu ser e por diversos dias ficou numa crise positiva por isso. Doou o seu coração a Cristo, oferecendo-se para ser consumada por seu amor. Havia alcançado o último degrau da escada, transformando-se em Templo do Deus Vivo. Tudo o viveu na mais grande humildade, com o desejo porém de transmitir tal dom místico às irmãs. Pediu ao confessor a permissão de fazer a oferta de Alacoque: colocar a própria vontade nas chagas do lado do Cristo e entrar no seu Coração. Sentia-se, porém, pequena e a sua maior preocupação era a de amar bastante.
O amor a Deus se concretizou na tarefa de auxiliar de enfermagem que exercitou com extraordinária abnegação, em particular em relação a uma irmã que, por problemas psíquicos, agia com violência. A sua caridade foi silenciosa e heróica. Além disso, naquele período as irmãs doentes e idosas eram muitas. A sua mesma comunidade transforma-se em instrumento de mortificação e assim, no último Capítulo da comunidade, irmã Teresa Margarida foi repreendida porque, pelo excessivo trabalho de enfermeira, parecia negligenciar a vida contemplativa. O total domínio de si, depois de um breve abatimento, a fez superar a repreensão com um pouco de bom humor.
De Santa Teresa Margarida possuímos poucos escritos. A sua ardente devoção a fez alcançar uma altíssima experiência mística, testemunha do que a oração pode fazer em uma alma. Foi atenta por manter escondidas as suas virtudes, e por humildade, com humor, desviava a curiosidade das irmãs, a ponto de ser considerada uma “espertinha”. Chegou, porém, a dizer ao diretor espiritual que deveria tornar público os seus defeitos. Mesmo não tendo muito conhecimento teológico, foi muito atenta à compreensão da Sagrada Escritura, entendida como dom do Espírito. Teve muito cara também a leitura das obras de Santa Madre Teresa e a sua exortação de dar lugar a Deus com o silêncio interior. Ardente foi o seu amor pela Eucaristia: “No ofertório, renovo a profissão: antes que se eleve o Santíssimo, oro a Nosso Senhor para que, assim como transforma o pão e o vinho no seu preciosíssimo Corpo e Sangue, assim digne-se de transformar-me toda em si mesmo. Ao ser elevado o adoro, e renovo ainda a minha profissão, e depois peço aquilo que desejo dele.” A seu pedido, a comunidade celebrou pela primeira vez a festa do Sagrado Coração de Jesus, e empenhou-se em cada particular para que fosse solene. Nisto foi sustentada pelo pai e pelo tio, o jesuíta Diego Redi. Eram os anos nos quais nascia esta devoção, nem sempre bem acolhida por causa das influências jansenistas.
Uma peritonite fulminante (inflamação do peritônio, sendo este uma membrana que reveste internamente as cavidades abdominal e pélvica, e externamente, as vísceras contidas nessas cavidades), depois de 18 horas de atroz sofrimento, a fez encontrar com o seu Esposo Celeste, tão amado e desejado. Esquecida de si, poucas horas antes de morrer, continuava a preocupar-se das irmãs doentes. Morreu com menos de 23 anos, no dia 7 de março de 1770. Seu corpo emanava um perfume suave e ainda hoje é conservado incorrupto no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Florença. No dia 19 de março de 1934, o Papa Pio XI a proclamou santa definindo-a “neve ardente”. A existência breve desta simples irmã, sem dotes particulares, é hoje exemplo à Igreja universal.



12 de Setembro:
BEATA MARIA DE JESUS

Nasceu em Tartanedo, Espanha, em 1560. Entrou para o Mosteiro das Carmelitas Descalças de Toledo em 1577, e fez sua primeira profissão religiosa em 1578. Aí passou a sua vida consagrada ao louvor divino, com exceção do tempo que dedicou à fundação do Mosteiro de Cuerva, em 1585.
Morreu em Toledo, no dia 13 de setembro de 1640. Santa Teresa de Jesus, nossa mãe, apreciou-a muito. Foi insigne pela contemplação dos mistérios de Cristo, vividos, intimamente, na Sagrada Liturgia e numa plena experiência pessoal.



17 de Setembro:
SANTO ALBERTO,
PATRIARCA DE JERUSALÉM

Santo Alberto nasceu na Itália por volta do ano 1149. Entrou para os Cónegos Regulares de Santa Cruz, vindo a ser Prior Geral da Congregação. Foi depois bispo de Bobbio e Vercelli.
A sua fama de santo o tornou querido aos olhos dos papas, imperadores, reis, bispos e de todo povo, que o veneravam como um homem de Deus que tinha o dom de estabelecer a paz entre os que andavam em desavenças.

Por morte do Patriarca de Jerusalém, foram unânimes os bispos, príncipes e o povo, em escolher para bispo de Jerusalém S. Alberto. O Papa teve que insistir muito para que aceitasse este cargo, que mais do que honra, era carga pesada, devido às dificuldades de toda a espécie em que se encontrava o reino de Jerusalém.

Embarcou para a Terra Santa no ano 1205, sendo o seu Patriarca de 1206 a 1214, fixando residência na vertente do Monte Carmelo. Brocardo, então prior dos carmelitas, pediu ao Patriarca Alberto que lhes desse uma norma de vida. De bom grado S. Alberto a escreveu, tornando-se assim Legislador da nossa Ordem. Por isso, e apesar de não ter sido carmelita, a Ordem do Carmo o representa nas suas imagens vestido de carmelita e com a Regra na mão.

Nas suas dificuldades encontrou consolação e coragem junto dos carmelitas, seus amigos, de quem foi sempre admirador e protetor. A Regra começa assim: “Aos amados filhos que moram perto da fonte de Elias, no Monte do Carmo…”

No ano de 1214, Alberto foi chamado a testemunhar em um processo contra um homem rico e poderoso, que poderia inclusive acabar na excomunhão deste. Mesmo ameaçado, Alberto nunca desistiu de levar o processo adiante, e acabou sendo apunhalado pelo homem rico quando presidia, em São João de Acre, aos pés do Carmelo, a procissão da Exaltação da Santa Cruz (14/09/1214), e morreu ali mesmo, cercado dos fiéis que acompanhavam a liturgia.


Que neste mês de setembro, o Espírito Santo de Deus nos fortaleza no caminho da verdade!!! Intercedam por nós todos os santos carmelitas.


Abraços fraternos,
Ceane (Mariana José de Jesus Mazurek, ocds)



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